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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Inglês Engessado.
Não. Não vamos falar de um cavalheiro anglófono acidentado. O termo Inglês Engessado é usado por nós professores quando nos referimos ao típico inglês usado ( infelizmente) em muitas salas de aula pelo país afora. E as razões disso persistir são várias. Desde livros obsoletos que trazem diálogos irreais-quem não se lembra dos famosos "Hi, I'm Mary and I'm from Brazil. How are you?" "I'm John. I'm from Canada. I'm fine thanks, and you?"- até a professores que, pasmem, não dominam o idioma.
Para se falar bem inglês, não é necessário que se fale como um nativo. Ainda mais porque, isso é praticamente impossível. Para se minimizar ao máximo o sotaque de nossa lingua materna ao se falar outra, demanda anos de prática e provavelmente você terá que se mudar do Brasil e conviver com falantes de inglês todos os dias. E se esforçar muito. Então quer dizer que as pessoas jogam dinheiro pelo ralo ao cursarem um curso de inglês aqui no Brasil? Muita calma nessa hora, pois não quero apanhar de donos de escolas de inglês desse Brasil. Há escolas e escolas, métodos e métodos, professores e professores.
Desconfie de tudo muito milagroso, muito rápido, apostilas chinfrins e professores que falem português em sala de aula o tempo todo. E se o professor falar tudo em inglês, e você aluno com o inglês mais básico possível entender tudo, não se alegre tanto.É que seu professor está usando o tal do Inglês Engessado. Fuja meu amigo.
Falar um novo idioma é mergulhar em uma nova cultura. É conhecer, aprender e respeitar as diferenças culturais. Uma das coisas que mais ouço de meus alunos é " mas teacher, aqui no Brasil a gente fala isso diferente." Claro, é outro país, outra lingua, outro jeito de pensar, enfim, outra cultura. Não devemos confrontar, mas sim aprender. E só. Assim tudo fica mais fácil.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas afinal, que tipo de inglês devo falar? Ora, o natural. Vamos inverter os papéis. Imagine-se conhecendo um americano. Ele tentando por em prática o português que aprendeu lá nos States antes de vir a turismo pra cá. Vamos ao virtual diálogo:
A: Americano
B: Brasileira
A: Boa manhã(1).
B: Hã...ah bom dia.
A: A senhorito(2) poderia me dizer onde está(3) o Copacabano(4)?
B: Onde fica?
A: Sorry?(5)
B: Oi?(6)
A: Oi! Olá! Como está?(7)
B: Hahaha...ai meu Deus.Vou bem, obrigada.
A: Copacabano?(8)
B: Sim, a praia?
A: Yes((9)...sim.
B: Pega o ônibus 1...7...4(10)...certo?
A: Ok(11), gracias(12).
B: Hahahahaha...(13)
1- Ele decorou que morning é equivalente a manhã em português. Portanto não aprendeu.
2- Eles tem uma dificuldade enorme em pronunciar o som do "a" final, mas também se perdem nos gêneros masculinos e femininos das palavras. E outra coisa. Quem usa o termo senhorita no Brasil nos dias de hoje?
3- Pelo jeito o professor dele não o ensinou que "ficar" também significa "estar situado, localizar-se". Sim, é o famoso verbo To be.
4- Olha aí a dificuldade de novo.
5- Xi... coitado, já se perdeu.
6- E ela também.
7- Agora deu...
8- Copacabanaaaaa...que coisa.
9- Opa...português, por favor.
10- Agora ela já acha que ele é retardado. Números ele sabe direitinho. Pelo menos até o 20.
11- Português meu amigo...se bem que "Ok" a gente usa aqui também né. Essa passa.
12- Sim, eles pensam que português e espanhol são a mesma coisa.
13- Essa gata você perdeu gringo!
Esse é um típico caso de Português Engessado- não, o Joaquim não se machucou...desculpem a piadinha infame- afinal isso poderia acontecer conosco lá no exterior,tentando o nosso melhor para que haja um diálogo. Mas, se não tivermos aprendido as nuances da lingua, teremos dificuldades até mesmo em um diálogo simplista como o exemplo acima. Então, qual o segredo? Simples, interesse-se pelo inglês coloquial. Aquele falado entre as famílias, entre amigos, na rua, na TV, nos filmes, na rua. Não é necessário falar de maneira chula como um rapper, nem austeramente como um Lord inglês do século XIX. O meio termo já é o suficiente. O segredo é, fale naturalmente, e elimine os exageros de sotaque. Ouça e copie a pronúncia. Nunca falha. E seu professor estará atento à isso e o ajudará no que for necessário. Caso ele não o corrija, bem...talvez ele precise de alguém que o corrija também.
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